Grandes novas para o cinema brasileiro: Tropa de Elite (2007), um dos melhores filmes de Crime do Brasil e do mundo, recebeu hoje o prêmio máximo do Festival de Berlim, o Urso de Ouro de melhor filme. Segundo o Internet Movie Database (IMDb), o filme está na 47ª posição na lista de melhores filmes de Crime do mundo (logo à frente de Duro de Matar, de 1988) e é 2º na lista de melhores filmes de Crime do Brasil, atrás apenas de Cidade de Deus (2002).
O filme de José Padilha foi assunto não apenas aqui no Brasil, mas virou febre em Berlim. Havia críticas de todos os lados. A imprensa, por um lado, acusava o filme de ser extremamente direitista e maniqueísta. Por outro lado, o público parecia não falar de outra coisa, e elogios não faltavam. Em uma conferência de imprensa, Padilha afirmou que a mídia alemã interpretou seu filme erroneamente, e que a intenção primeira do filme é a de mostrar como o sistema corrompe policiais que entram na PM com a intenção de usarem nada mais que a honestidade.
É claro que esse é um filme com uma mensagem muito clara contra o crime, isso é inegável. E pode-se dizer que Tropa de Elite quebra o padrão comum do cinema de Crime, onde o lado tomado e a perspectiva seguida é normalmente a do criminoso. O filme explode com tudo o que deixa a população brasileira raivosa - e com razão. É uma porrada na cara da hipocrisia e do cinismo por trás da violência. Vou além: Tropa de Elite é um filme de super-heróis. Temos os vilões, que nos são apresentados fazendo suas maldades e executando planos malévolos, se divertindo sem moral alguma em suas festas "pecaminosas", por falta de uma palavra melhor. Logo após, vemos o Tenente Fábio (Milhem Cortaz), apresentado como um possível sacrifício, um pedaço de carne jogado em meio às hienas famintas. E é então que, em um plano elevado, temos nossos próprios Batman e Robin - Capitão Nascimento (Wagner Moura) e Neto (Caio Junqueira). Eu sei que chamar o Neto de Robin é sacanagem, mas ele ainda é herói, apesar da vestimenta carnavalesca e dos poucos tecidos. Mas não é que o Neto realmente parece o Robin, e o Cap. Nascimento é a cara do Batman!? Essa dupla verdadeiramente dinâmica de heróis vai além de sua própria capacidade para acabar com aquilo que atormenta sua Gotham. Destruir o Baiano (Fábio Lago) é destruir o Coringa, aquele que se encontra recluso atrás de mil armas e que parece fazer piada até no momento de sua morte. Ok, a analogia pode não ter sido a das melhores, mas a questão aqui é que Tropa de Elite é, sim, um filme de super-heróis. Nossos heróis não voam, não têm visão de Raio-X e não têm super velocidade, mas são super poderosos em seu próprio jeito humano, com suas falhas propriamente humanas. Tenho que elaborar um pouco mais isso, mas o ponto é basicamente esse.
Resumindo o papo: prêmio merecido a José Padilha & Cia, que merecem esse prêmio desde o excelente documentário Ônibus 174 (2002). O filme é o segundo brasileiro a receber o prêmio, depois de Central do Brasil (1998), de Walter Salles.
Tropa de Elite foi o único filme premiado nessa edição do Festival de Berlim sob o gênero Crime.
16 fevereiro, 2008
O dia em que Cap. Nascimento sorriu
Por
César Brasil
às
23:52
Tags: Festival de Berlim, Premiações, Tropa de Elite, Urso de Ouro
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário